RIO DE JANEIRO – O ambiente político no Palácio Guanabara voltou a ferver. Em meio a um racha crescente entre aliados, o governador Cláudio Castro (PL) embarca nesta quarta-feira (2) para Portugal, onde participa do 13º Fórum Jurídico de Lisboa, promovido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Durante sua ausência, quem assume novamente o comando do Estado é o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil).A tensão aumentou após a convocação do secretário estadual de Transportes, Washington Reis, pela CPI da Transparência, aprovada em uma sessão acalorada na Alerj nesta segunda-feira (30). Deputados da base governista subiram à tribuna exigindo a exoneração de Reis, acusando-o de infidelidade política por se recusar a apoiar a pré-candidatura de Bacellar ao governo em 2026 e por posar publicamente ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD), principal nome da oposição.
Nos bastidores, cresce a especulação de que Bacellar pode exonerar o secretário durante a interinidade. Ele reassume o governo do estado pela segunda vez em menos de uma semana, agora em um cenário ainda mais tenso. Porém, aliados de Castro tentam conter os ânimos e garantir estabilidade.
“O governador vai viajar tranquilo. Ele confia que Bacellar não tomará nenhuma medida brusca sem alinhamento prévio”, afirmou um interlocutor próximo ao chefe do Executivo. Segundo fontes do Palácio Guanabara, Castro acredita em uma possível recomposição política após seu retorno, e aposta que ainda há espaço para diálogo entre Bacellar e Washington Reis.
Apesar da temperatura elevada nos corredores da Alerj e da pressão de aliados mais radicais, o clima dentro do Palácio é descrito como “morno”. Castro teria se mostrado confiante de que o presidente da Assembleia, com quem mantém uma relação de confiança, não tomará decisões unilaterais que agravem ainda mais a crise interna do governo.
A disputa pelo controle político do estado em 2026 já começou nos bastidores, e os próximos dias serão decisivos para medir o grau de fidelidade entre os principais nomes da base governista.







